segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O estudo do caso nas ciências da sustentabilidade

O estudo de caso é uma ferramenta de investigação ou um método, dependendo do autor, originário da investigação médica e psicológica. Os tipos de estudos de caso podem ser exploratórios, descritivos ou explanatórios (Yin, 2013).

Alguns, autores como Carrasco e Calderero (2000) consideram o estudo de caso como um método de investigação perfeitamente válido se está bem estruturado e dirigido, enquanto outros como Silva e Pinto (1986) consideram o estudo de caso só como um desenho de pesquisa qualitativa. Yin (2013) diz que o estudo de caso não tem especificidade e que pode ser utilizado em qualquer disciplina.

IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA A INVESTIGAR

Para Yin (2013) as questões de investigação ou questões de estudo são o primeiro elemento do desenho de qualquer investigação. Yin (2013) propõe um desenho de investigação mais sofisticado com a aplicação de diferentes unidades de análise sobre o mesmo caso para definir bem o que é o caso a estudar. As unidades de análise definem os limites do caso para fazer a diferença do contexto e orientar a elaboração dos resultados.

COLETA DE DADOS

Yin (2013) aconselha enunciar previamente umas proposições ou hipótese de pesquisa (study's propositions para encaminhar a investigação na direção certa, amostrando o que é necessário observar e evitar a coleta maciça de informações que não agreguem qualquer valor para a investigação. Yin (2013) também assinala três métodos de coleta de dados: documentos, entrevistas e observação (direta ou participante).

ANÁLISE DE DADOS E INTERPRETAÇÃO

Finalmente, Yin (2013) propõe a definição de um quadro teórico preliminar para estudar o problema com os dados disponíveis na literatura científica ou mesmo com um estudo de caso exploratório. A estratégia consiste em especificar previamente ao desenvolvimento do caso como os dados obtidos vão ser ligados com as propostas ou hipóteses definidas ("the logic linking the data to the propositions") e quais vão ser os critérios a ser usados para interpretar os resultados ("the criteria for interpreting the findings").

O ESTUDO DE CASO MÚLTIPLO

Quando o estudo é desenhado, o investigador tem de escolher entre a conceção de um estudo de caso simples ou múltiplo. A decisão de trabalhar com vários casos reforça a possibilidade de contrastar semelhanças e diferenças em dados. Quando se inclui mais de um caso pode parecer que há mais evidências para discutir a validade externa da teoria, mas, como Yin (1994) reconhece com honestidade a intenção geralmente não é exatamente acumular vários casos para chegar a uma amostra estatisticamente representativa:

Each case must be carefully selected so that it either (a) predicts similar results (a literal replication) or (b) produces contrasting results but for predictable reasons (a theoretical replication).

Então, quando se diz estudo de caso múltiplo, o que provavelmente queremos dizer é realmente um estudo de vários casos, geralmente de sucesso, convenientemente selecionados de acordo com os nossos pressupostos teóricos. Portanto, no estudo de casos múltiplos não parece totalmente apropriado, a meu ver, falar de indução ou de generalização estatística. O estudo multicaso tem como objetivo que a teoria seja usada como um padrão com o qual interpretar sistematicamente uns resultados de vários casos e gerar ideias de proveito em diferentes cenários específicos.


Referências bibliográficas:

Carrasco, J. B., & Calderero, J. F. (2000). Aprendiendo a investigar en educación. Madrid: RIACP.

Corcoran, P. B., Walker, K. E., & Wals, A. E. (2004). Case studies, make your case studies, and case stories: a critique of case study methodology in sustainability in higher education. Environmental Education Research, 10(1), 7-21.

Silva, S.A., Pinto, J. M., Jesuíno, J. C. (1986). O método experimental nas ciências sociais. Metodologia das Ciências Sociais, Porto, Edições Afrontamento, 215-246.

Yin, R. K. (2013). Case study research: Design and methods. Sage publications.